Notíca retirada do Jornal de Notícias de 11 Agosto 2005!Crato
Avestruzes morrem à fome em exploração abandonada.
Pastor encontrou carcaças de sete animais e uma ave ainda viva, que tem conseguido alimentar;
Propriedade foi adquirida por espanhóis em 2004 e, entretanto, foi desactivada.
Foto de paulo neto
Restos dos animais encontram-se ainda na herdade, emanando um cheiro nauseabundo.
Texto de Hugo Alcântara
Sete avestruzes foram encontradas mortas, em avançado estado de decomposição, numa exploração desactivada, na zona industrial do Crato. João Mourinho, pastor, encontrou um animal, com sede e fome que começou a alimentar há cerca de uma semana. Depois, no pastoreio do seu rebanho, percebeu que, do outro lado da cerca, existiam animais mortos. Ao todo, seis fêmeas e um macho.«Como isto está vedado, com duas cercas, tive de arranjar um tubo para lhe mandar a agua e a comida», contou ao JN. Todos os dias, este pastor dá à avestruz o mesmo que ao seu rebanho de ovelhas. Refeições que alternam entre a ração e o milho uma vez que, com o calor, «não há pastagens para nada».Garante que, «enquanto cá estiver, pelo menos esta não morre».O cheiro, nauseabundo, emanado do terreno, depressa chamou a atenção da população das imediações. Segundo Maria José, «não é justo deixarem assim os animais abandonados». A opinião é corroborada pela vizinha e companheira de trabalho no amanho dos jardins locais«Há muitos miúdos que vão brincar para perto e é um perigo», afirma.Na vila todos se lembram dos tempos em que, naqueles terrenos se viam perto de duas centenas de exemplares bem tratados, e o negócio aparentava próspero.A exploração abriu há cerca de cinco anos, com o nome de «Avestruz Real». Mudou de mãos duas vezes, a última em 2004 para uma empresa espanhola, com sede em Olivença, que, entretanto extinguiu esta unidade de negócio. Os animais ficaram desamparados, as terras sem tratamento e os bens, um matadouro e as centrais de criação, ao abandono.